quarta-feira, 4 de julho de 2012

Esterelidade


Estou estéril. Estéril de palavras e isso me faz mal. É como se não conseguisse respirar direito, travada, muda por dentro, enjaulada junto com todos os sentimentos que querem sair, mas não encontram uma forma de transbordarem, não da forma pura em que se encontram lá perdidos, inertes.

Não é que não consiga reproduzi-las, mas sim produzi-las, as palavras que preencham por completo o sentido daquilo que eu quero expor, desses sentimentos á tanto contidos, á tanto fechados, esperando uma brecha para fluírem feito uma correnteza a transbordar pelos lábios e firmarem-se em palavras.

Então me sento na poltrona da sala com paredes pintadas de branco, mas minha mente está tão limpa quanto às paredes dessa sala, é difícil entender por que a mente não consegue traduzir as coisas que vem do coração, nem a sensação de felicidade ou cheiro de grama recém cortada, nem de pergaminho novo ou de pasta de dente, perco a paciência, pois ser paciente nunca fora um das minhas virtudes, rabisco o papel, arranco a folha do caderno gasto, jogo a fora, mas aquela impressão de algo faltando permanece latente, incomodando – me como uma noite de sono mal dormida.

Nada do que eu escreva me contenta. Estou estéril. Estéril de palavras e isso me faz mal.